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Como as narrativas games influenciam o cinema atual

Uma reportagem especial sobre a simbiose entre videogames e filmes. Analisamos como a câmera, o ritmo de ação e as estruturas narrativas dos games moldam Hollywood hoje.


Houve um tempo em que games e cinema eram rivais, ou, pior, o cinema via o jogo eletrónico como um primo mais novo e menos sofisticado. Essa era acabou. Hoje, a relação é de simbiose profunda, e a influência dos videogames no cinema contemporâneo vai muito além das adaptações óbvias, como The Last of Us ou Sonic. O jogo se tornou um mestre, definindo o ritmo, a estética e a própria linguagem visual das grandes produções.

O impacto mais imediato é notado na câmera. Graças a títulos como Resident Evil 4 e Uncharted, o público foi treinado a amar a perspetiva “por cima do ombro” (over-the-shoulder). Essa perspetiva dinâmica, que oferece intimidade com o protagonista e tensão imediata, migrou diretamente para filmes de ação e terror, tornando-se um padrão de close-up em momentos de alta intensidade. Além disso, a forma como os jogos utilizam a montagem e a escala — com cutscenes que funcionam como micro-filmes — ensinou a Hollywood a criar picos emocionais rápidos e a manter o ritmo frenético exigido pela audiência moderna.

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Fonte: Uncharted – O Filme

A Lição de World-Building

A grande lição que o cinema aprendeu com os games de sucesso recente é sobre a profundidade da narrativa épica e do lore. Franquias como The Legend of Zelda, Final Fantasy e até mesmo Elden Ring constroem universos tão densos e ricos em história que se tornaram o modelo para o world-building de séries de streaming. O público gamer está acostumado a consumir histórias que duram centenas de horas e exigem atenção aos detalhes.

Isso elevou a expectativa. Hoje, os filmes e séries precisam entregar mitologias complexas, personagens com arcos emocionais profundos e finais que deixam margem para expansão — uma estrutura que imita a lógica dos mundos abertos ou das sagas de RPG. As adaptações, por sua vez, só funcionam quando o material original é respeitado como uma narrativa de vanguarda, e não como um produto descartável.

Por fim, a influência é tecnológica. A técnica de captura de movimento (mo-cap), popularizada por jogos desde a década de 2000, está agora no centro de grandes blockbusters. Mais recentemente, game engines como Unreal Engine e Unity são usadas nos estúdios para criar cenários virtuais em tempo real (como o Volume usado em The Mandalorian), permitindo que diretores vejam a cena renderizada no set, borrando de vez as linhas entre a produção de um jogo AAA e um filme de Hollywood.

Os videogames não são mais apenas fonte de inspiração; eles são a vanguarda da tecnologia narrativa e visual. O cinema, para se manter relevante, precisa continuar a olhar para os consoles e PCs para ver para onde a próxima geração de narrativas está caminhando.

Qual é a sua opinião sobre o assunto? Qual filme ou série você sente que tem mais DNA de videogame? Deixe o seu comentário!

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