De para-choques exagerados a neon no chassi: entenda por que das customizações extrema da era Underground desapareceu dos jogos modernos e se ela tem chance de voltar em 2026.
Se você cresceu jogando Need for Speed Underground 2 ou Midnight Club 3, deve se perguntar: “Por que hoje em dia eu mal consigo trocar o para-choque do meu carro nos jogos?”.
Em 2026, os jogos de corrida estão visualmente mais lindos do que nunca, com Ray Tracing e física realista. Mas aquela liberdade de transformar um Peugeot 206 em uma nave espacial cheia de neon, caixas de som e alargadores de paralamas (widebody) parece ter ficado no passado.
A resposta para esse mistério envolve advogados, dinheiro e uma mudança cultural.
1. As Montadoras Ficaram “Chatas” (Licenciamento)
Nos anos 2000, as marcas de carro viam os jogos como uma vitrine divertida. Hoje, elas veem como proteção de marca.
- O Problema: Marcas de luxo como Ferrari e Lamborghini raramente permitem que você modifique a lataria de seus carros. Elas vendem a imagem de “design perfeito”.
- O Contrato: Para colocar uma Ferrari em um jogo em 2026, o estúdio assina cláusulas que proíbem modificações visuais extremas. É por isso que em jogos como Forza ou Gran Turismo, você no máximo troca a roda e a pintura.
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2. A Morte dos Carros Populares nos Games
A cultura do tuning nasceu de pegar carros baratos (Civic, Golf, Eclipse) e transformá-los em monstros.
- A Realidade Atual: Os jogos hoje focam em Supercarros e Hypercarros elétricos que já saem de fábrica custando milhões. Ninguém faz tuning pesado em um Rimac Nevera ou em uma Bugatti Tourbillon. A base da cultura (o carro popular modificado) perdeu espaço para o luxo intocável.
Tabela: O que podíamos fazer vs. O que podemos hoje
| Customização | Era de Ouro (2003-2006) | Era Moderna (2026) |
| Som Automotivo | Porta-malas cheio de subwoofers e telas LCD. | Inexistente na maioria dos jogos. |
| Neon | Chassi, motor e interior piscando. | Apenas em jogos estilo anime (NFS Unbound). |
| Lataria | Bodykits que mudavam o carro inteiro. | Apenas kits oficiais (Liberty Walk / Rocket Bunny). |
| Interior | Trocar volante, manopla e bancos. | Raro (apenas visão de cockpit fixa). |
3. O Custo de Desenvolvimento
Modelar um sistema de tuning onde cada para-choque se encaixa perfeitamente em 500 carros diferentes exige um trabalho braçal imenso.
- Física de Colisão: Em 2026, com gráficos fotorrealistas, se um para-choque modificado atravessar o chão (bug de clipping), os jogadores destroem o jogo nas redes sociais. É mais barato e seguro para as empresas fazerem menos peças, mas com qualidade perfeita.

Existe Esperança?
Sim, mas ela vem do cenário Indie e do Japão. Jogos como Night-Runners e CarX Street estão resgatando essa cultura porque não dependem tanto das grandes licenças da Ferrari ou Porsche. Eles usam carros “genéricos” ou focam em marcas japonesas (Toyota, Nissan) que historicamente são mais abertas à cultura de modificação.
Conclusão: A saudade permanece.
O tuning não morreu, ele se tornou “premium”. Hoje instalamos kits da Liberty Walk que custam milhares de dólares na vida real, mas perdemos a criatividade caótica de inventar nosso próprio estilo. Talvez a perfeição gráfica tenha custado a nossa liberdade criativa.
E você, sente falta de colocar neon verde e portas tesoura no seu carro popular? Ou prefere o realismo dos simuladores atuais? Deixe seu desabafo nos comentários!














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